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domingo, 1 de março de 2015

Como procurar emprego no Canadá?

O processo de busca por emprego é sempre complexo e demanda tempo e energia, em qualquer lugar do mundo. Na era digital, a procura por vagas é facilitada pela internet e sites de busca. Aqui, os anúncios de vagas são feitos na própria empresa, nas universidades, em jornais, mas, principalmente, na internet. Existem sites especializados na divulgação de vagas - inclusive um mantido pelo governo. Para quem ainda não está no Canadá, é uma boa forma de sondar o mercado de trabalho. Para quem está aqui, é mais uma ferramenta útil neste processo.
Eis alguns dos principais sites de ofertas de trabalho:

http://www.jobbank.gc.ca/ (este site é do governo!)

http://www.careerbeacon.com/

http://www.workopolis.com/

http://www.monster.ca/

http://www.wowjobs.ca/

http://www.gurulink.ca/

http://goodhires.ca/

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Com corrupção e altos impostos, o Canadá segue cada vez mais evoluído

Não, o título não está errado - essa é a visão e o discurso do povo canadense. Antes de me atirar pedras, leia o texto!
Voltando de um curso sobre saúde mental hoje, que estou fazendo gratuitamente através de um órgão do governo, fiquei divagando sobre as condições políticas e econômicas do Canadá. Confesso que ainda não tinha feito isso de forma crítica, talvez por falta de um insight apropriado.
O imposto sobre produtos na Nova Scotia é o maior do país, sendo de 15% em qualquer item comprado - comida e remédio são isentos. Não sei ao certo como funciona o imposto de renda aqui e qual é a porcentagem, mas ele vem descontado no salário e existe declaração, como no Brasil. Empresas também pagam impostos, mas o custo e a burocracia para manter uma empresa aqui é menor. E assim se faz boa parte da arrecadação do governo. Os nativos reclamam que as taxas são muito altas e o retorno é muito pequeno. Pois bem, sou brasileira e entendo bem dessa questão...
A saúde pública daqui é de qualidade, mesmo que acessível somente a cidadãos e residentes permanentes. Educação é basicamente por conta do governo, que é responsável até a faculdade, onde passa a ser paga. As ruas são limpas (a não ser pela neve, que não tem jeito, suja tudo), há segurança de altíssima qualidade e serviços exclusivos para idosos, que são amparados de forma bem interessante pelo governo. Se não bastasse, a vida cultural é de tirar o chapéu, com eventos sazonais, parques públicos que podem ser frequentados com segurança, pista de patinação no gelo com equipamento de aluguel gratuito, festivais, e, claro, as bibliotecas - uma em cada região da cidade, muito bem equipadas, com livros novos, revistas, cds e dvs (falo sobre isso aqui) e projetos gratuitos a perder de vista, com os mais variados temas e públicos, que vão desde aulas de yoga e zumba até oficinas de tricô. Ainda existem centros especializados em prestar consultoria a quem busca emprego. Tudo isso (e muitas outras coisas que nem descobri ainda) mantido pelo dinheiro dos impostos. Mas para o povo canadense, esse retorno é pequeno. Eles julgam que os serviços devem ser de melhor qualidade e maior variedade. Para eles, não é o padrão ideal - isso porque o padrão deles é realmente muito alto. Existem, sim, regiões do país que estão melhores em alguns aspectos, e é nisso que eles se baseiam. Afinal, se pagam impostos e mantêm um governo é para ter um retorno à altura, não?
Por exemplo, hoje pela manhã encontrei uma senhora na parada de ônibus reclamando das calçadas (que estão realmente intransitáveis em função da canada de gelo sobre elas). Ela dizia: "pagamos impostos para ter a cidade em plenas condições de uso. O mínimo que o governo deve fazer é certificar-se que está assim". E, ainda, disse que já reclamou para a administração municipal e estadual sobre isso.
Além disso, o pessoal aqui reclama que o governo é corrupto e rouba muita grana. Imagina se não fosse... Se perguntarmos como é a política para um canadense, ele vai citar os mesmos problemas que temos no Brasil - e mesmo assim tudo funciona.

Qual é a fórmula, então?

A meu ver, o segredo do Canadá é simples: educação. O povo é educado, e por isso tudo funciona bem e em efeito cascata. Temos uma campanha no Brasil que tenta ensinar isso: gentileza gera gentileza. Esse é o "jeitinho canadense". E, apesar de tudo, o governo não faz o que quer - a consciência e participação política parece maior, assim como a cobrança aos governantes. É exatamente isso que precisamos neste momento no Brasil. Já conseguimos provar que a força do povo gera conquistas, como o movimento pela derrubada da ditadura, o fora Collor e os protestos do ano passado, massacrados pela mídia. Cadê a manifestação "de um povo heroico o brado retumbante"? Se ficar só nos versos do hino, não iremos para frente mesmo. E trocar de país não deveria ser a única opção para quem busca uma vida melhor e mais justa, apesar de no momento ser.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Como lavar roupas no Canadá

Como assim?? Lavar roupas não é o mesmo processo em qualquer lugar do mundo??

Sim, é! Mas aqui existem algumas peculiaridades, compartilhadas com boa parte dos países que possuem inverno rigoroso.
Para começar, as casas aqui não possuem tanque. Isso mesmo: não é costume lavar roupas à mão, todas elas vão para a máquina. Varal é artigo raro, mas algumas casas possuem - mas só para ser usado no verão. 

E como faz para secar??

As roupas vão da lavadora direto para a secadora - todas, desde toalhas até a roupa mais delicada (a máquina possui vários programas, de acordo com cada necessidade). Ok, tem alguns pontos negativos, como o desgaste das roupas, e roupas de algodão encolhem. Mas com o frio que faz aqui, mais o período de neve, que é extenso, não tem outra saída - ou seca a roupa na secadora, ou ela não seca. E outra - o pessoal aqui não perde muito tempo na rotina da casa, só faz o necessário, sem frescura. Utilizar máquina para lavar e secar roupas economiza muito tempo.

Mas é só isso?

Existe outra diferença: nem todas as casas tem lavanderia. Nos prédios, é comum ter uma lavanderia comunitária, que todos utilizam, e não ter lavanderia nos apartamentos. Para quem não tem lavanderia em casa, também é muito comum lavanderias comerciais que, diferente das nossas, possuem máquinas de lavar roupa e secadoras à disposição. Basta colocar moedinhas para poder utilizá-las (o valor depende da quantia de roupas e tempo de lavagem). Não tem um funcionário que faça isso, é você mesmo que faz. Ou seja, você "aluga" a máquina em vez de tê-la em casa. 

Compartilhar a máquia? Isso não é nojento?

Como mencionei acima, aqui não tem frescura nas rotinas de casa. A roupa suja pode ser nojenta, sim, mas ela não sai da máquina limpa? Teoricamente, quando você for usar, a máquina também está limpa, pois devolveu as roupas anteriormente lavadas limpas. E pra ser sincera, ninguém se importa muito com isso. 

Mas não é caro?

As lavanderias daqui são diferentes das nossas, no Brasil, em que há uma (ou mais) pessoa que faz isso por você - por isso, caras. Aqui não existem funcionários que fazem isso, é você mesmo quem faz, e lavar a roupa custa algumas moedas - afinal, gasta de luz e água - que não são muito mais do que lavar em casa. Só há um porém: o custo é por lavagem. Então, se fizermos como no Brasil, de lavar roupas claras, coloridas, escuras e delicadas separadamente pode sair muito caro. Existem roupas que precisam ser lavadas separadamente, claro, mas a maior parte das roupas vão juntas para a máquina - no máximo separa-se claras e escuras. Por incrível que pareça, não mancha. As roupas ficam desgastadas mais rapidamente, claro. Mas essa é a rotina aqui. 

E se eu precisar de lavagem especial?

Existem também lavanderias industriais que fazem lavagens especiais, como a seco ou em roupas delicadas. Mas essas são como as nossas, com funcionários, e mais caras do que as tradicionais. Para roupas delicadas ou especiais, vale a pena, mas não para as roupas do dia a dia. 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Guia de medicações

As farmácias aqui possuem uma organização diferente, que confesso que demorei para me adaptar e entender. Geralmente se encontra farmácias nos supermercados e minimercados dentro das farmácias. Porquê? Por que a maioria das medicações só podem ser adquiridas com receita, e as 'comuns' são poucas. Vamos por partes.

Como trazer medicação?
Para quem faz uso de medicação contínua ou prescrita, é possível trazer quantidades grandes de medicação desde que acompanhadas da receita e nota fiscal. Se for possível, e de preferência, traga um atestado do médico dizendo que você faz uso contínuo de tal medicação. Com a devida identificação, os aeroportos aceitam que elas sejam carregadas na bagagem de mão. Medicações sem prescrição, como comprimidos para dor de cabeça, não necessitam dessa burocracia mas também só são aceitos em quantidade pequena. Geralmente não complicam com eles, mas se for uma quantidade exorbitante podem gerar problemas. Seja razoável quanto a isso, e, caso seja do seu costume utilizar, traga dorflex/relaxante muscular e flaconetes para o fígado pois não são vendidos aqui, e outros que você não vive sem. Comprimidos para dor e anti inflamatórios são de fácil acesso, não necessitando o risco.

Como comprar medicação?
Após uma consulta médica, você se dirige à farmácia com a prescrição e o farmacêutico vai preparar a medicação para você. Ele vai manipular ou pegar a medicação comercial, de marca ou genérica, e colocar a dose exata em um pote com seu nome e instruções de uso. Simples! Nem mais, nem menos.
A única exigência é ter a receita...

Se você usa medicação contínua, procure trazer para o tempo que ficar aqui ou, se não for viável, traga um atestado do seu médico dizendo qual medicação você usa, por quanto tempo e por qual motivo. Assim que chegar aqui, procure um médico que te acompanhará pelo período que morar aqui, e apresente a ele a descrição para que continue o tratamento.
Isso vale também para pílulas anticoncepcionais! Não esqueça que na troca de pílula é necessário se cuidar no primeiro mês. Se você não está querendo incômodos ou bebês fora do tempo previsto, traga a quantia necessária do seu anticoncepcional usual. Para comprar aqui é necessário prescrição também.

E medicações comuns?
Nas prateleiras é possível encontrar medicações que não exigem receita médica, mas são para problemas "comuns".
Quais?
Dor de cabeça, dor muscular, azia e má digestão, gripe e sinusite, colírio, medicações para alergia, diarreia, prisão de ventre, anti inflamatórios, conservantes de lentes de contato, artrite e cólica, basicamente.

Muitas medicações que conhecemos no Brasil e são populares por lá não existem por aqui, ou são proibidas. Um exemplo clássico é o nosso dorflex, cujo componente, a dipirona, é de venda proibida.
Porquê????
Em um estudo constatou-se que há uma chance minúscula de, com o uso indiscriminado, ele desencadear reações que levam à morte. Como o uso por aqui era exagerado, como ainda é no Brasil, eles decidiram por proibir. Isso se estende aos EUA e parte da Europa. Ou seja, se você pretende vir para cá e é usuário assíduo de alguma medicação com relaxante muscular, traga um estoque! Eu costumava usar dorflex ou tandrilax para enxaqueca, e aqui não encontro nem eles, tampouco similares.

E como me viro?
Pois bem, vou compartilhar um pequeno esboço das medicações comuns para facilitar a quem vem.

Dor de cabeça, febre, artrite e dor muscular
É possível encontrar várias versões da mesma medicação e com diferentes indicações na caixa, mas elas são, basicamente, de mesma composição.
Existem 3 tipos básicos de medicação para isso: Acetaminophen (nome do nosso paracetamol), Ibuprofen (nosso Alivium) e Acid Acetilsalicilic (nosso AAS), todos encontrados em mais de uma marca, que trago como exemplo:





Para dor muscular, também existem pomadas e compressas, ambas de uso tópico:




Azia e má digestão
Antiácidos são muito comuns por aqui, vendidos em embalagens muito grandes. E essa é a única diferença dos nossos. Existem comprimidos, líquido, efervescente (como o nosso Eno) e pastilhas.



Diarreia, gases e desconforto intestinal
Equivalente ao nosso imosec, aqui é vendido como imodium.

Antialérgicos
Basicamente são encontrados como loratadina/Desloratadina, fexofenadina (Allegra) e clorfeniramina (Polaramine):





Gripe, resfriado e sinusite
Geralmente vem em versões para o dia, para a noite, ou ambos, e na caixa está escrito "cold & flu" ou "cold & sinus"


Dúvidas quanto a alguma medicação específica?
Deixe nos comentários que respondo caso a caso!


domingo, 22 de fevereiro de 2015

Sobre o trânsito

O trânsito daqui não tem mistério, e por isso flui bem. Halifax é uma cidade pequena, e o trânsito acompanha essa realidade. As ruas que ligam os principais pontos da cidade e tem mais de 3 vias possuem sinais luminosos que indicam qual é o sentido vigente - uma via sempre vai, a outra sempre vem e as restantes modificam-se conforme o horário e fluxo. Uma solução simples e prática. Alguns sentidos também se modificam no horário de pico, em que fica proibido dobrar em algumas ruas ou seguir determinado trajeto.
O horário de pico também é estendido, porque não há um horário fixo de funcionamento dos serviços, o que dilui o trânsito ao longo do dia. E o pedestre tem sempre razão - nas faixas de pedestre existem sinais luminosos que se acendem quando um pedestre pede passagem, e os motoristas respondem parando automaticamente para essa travessia. Mesmo onde não há faixa de pedestre os carros param e respeitam a passagem. E em todas as sinaleiras há sinal para pedestre também.
O trasporte coletivo não é ruim, com tarifa única mensal. Os ônibus são pontuais, contemplam quase toda a cidade e as rotas são organizadas por terminais em pontos estratégicos que organizam o trânsito. Andar de ônibus é tranquilo mesmo à noite, apesar de os horários serem espaçados (geralmente de meia em meia hora).
Os motoristas aprendem a sempre checar os pontos cegos do carro, evitando muitos acidentes com isso. Aliás, vi pouquíssimos acidentes, geralmente em dia de neve, em que é fácil perder o controle do veículo. Nas rótulas sempre se respeita a preferência. Existe engarrafamento como em qualquer cidade, mas ele se desfaz rapidamente, e quase não existem imperfeições na pista - as que existem geralmente são da amplitude térmica, com fendas no asfalto, e não buracos.
Sei que romantizo um pouco minha visão quanto ao trânsito daqui, mas confesso que estou encantada. Em Santa Maria, onde morava, o trânsito é caótico e fica congestionado por muitas horas, todas as manhãs e tardes/entardecer. Os ônibus estão sempre lotados, atrasados e a tarifa não é proporcional à qualidade. A violência é alta, e sair de casa, seja de carro ou ônibus, é sinônimo de ter medo de assalto. Quase todos os dias acontecem acidentes, geralmente por causa do congestionamento e desatenção, imprudência ou má conservação da pista, e os pedestres não são respeitados nem respeitam sua vez - atropelamento também é comum por lá. Os motoristas são impacientes e buzinam demais.
Poder ver esses problemas beeem reduzidos aqui é quase estar no paraíso. É fácil prever o tempo de percurso, e se você faz o mesmo trajeto todos os dias na mesma hora, vai saber quase com exatidão a hora que sai e que chega. A única exceção são os dias de neve, em que o trânsito fica mais lento e por vezes linhas de ônibus são desviadas. E tudo gira em torno de uma questão bem simples: respeito mútuo. Por isso que o trânsito flui, por isso que as ruas são conservadas, por isso existem poucos acidentes. Simples assim.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Sobre a desglamourização da vida no exterior

Li alguns textos de brasileiros que moram no exterior falando da "desglamourização" da vida aqui. Segundo eles, para quem está no Brasil viver fora é só glamou, mas não é pela necessidade de ter que fazer suas próprias tarefas - limpar a casa, lavar roupa, fazer as unhas... Pois bem, quero expor minha opinião sobre isso.
Ainda temos muitos resquícios da época da escravidão no Brasil. Socialmente é tido como "feio" ou "impróprio" limpar a própria sujeira, lavar a própria roupa ou fazer a unha ou cabelo em casa. São "subfunções" que quem tem um pouco de "grau" na sociedade não deve fazer. É feio, inclusive, comprar papel higiênico. Por isso existem pessoas, geralmente da periferia, que se dedicam a fazer isso por um preço nada justo. E essa é a mesma origem da ideia de que cotas nas universidades não são necessárias pois "o filho da empregada não pode compartilhar a mesma instituição do filho do patrão". Infelizmente nossa luta histórica está apenas começando.
Coloco essas palavras entre aspas pois não concordo com elas. O que te faz menos humano ou menos "importante" (se é que a pessoa em questão é realmente "importante") ao fazer suas próprias tarefas pessoais e de casa? Que glamou é esse? Que status social é este imposto por uma elite? E quem faz isso é realmente "de elite"?
A ideia praticada nos países e sociedades desenvolvidas é que a sua sujeira e suas rotinas de limpeza e beleza são suas responsabilidades, não de outras pessoas. E aqui, toda mão de obra é valorizada.
Isso quer dizer que não existem faxineiras e manicures?
Existem, sim, pois aqui também existem pessoas super atarefadas que não tem tempo para isso (questão de tempo, não de status!). Mas é um serviço muito caro - o valor da hora de trabalho de uma faxineira chega a custar 17 dólares, quando o mínimo praticado no comércio é 10.
O que te impede de pegar uma vassoura e limpar o que sujou, ou mesmo colocar as roupas na máquina de lavar? Não vejo isso como "desglamourização", e sim como responsabilidade. Nunca tive faxineira, nunca fui em uma manicure, eu que lavo minhas roupas e louças sujas e tiro o mofo das paredes. E isso nunca me incomodou. É cansativo? Sim, é. Mas não depreciativo. Compro meu papel higiênico porque preciso dele (e quem não?), e não tenho vergonha de sair do supermercado com ele na mão. É uma questão de lógica.
Viver no primeiro mundo é ter direitos e deveres, responsabilidades e compensações. Se quiser fazer alguma coisa, aprenda e faça você mesmo. Se quiser curtir a tarde em um parque, vá - é seguro. Se quiser alguma coisa, trabalhe e compre, pois o poder de compra daqui é muito bom. Quer trabalhar? Não precisa ser um CEO ou diretor de empresa para ser respeitado - todo trabalhador é. Trabalho aqui não é status, pois todo ser humano é humano e respeitado (a não ser que não faça por merecer). Este é o estilo de vida do primeiro mundo - e não se trata de ter ou não glamou, mas de ser justo.





sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Ir para o Canadá com oferta de trabalho é fácil?

É realmente muito difícil conseguir trabalho estando fora do país. Sabe porque? Para um empregador canadense contratar um estrangeiro ele precisa comprovar para o governo que não há nenhum cidadão canadense apto a realizar aquela função. Ou seja, o trabalhador precisa ser muito qualificado e ter um diferencial muito bom para conseguir a oferta de emprego estando fora do Canadá. Além disso, para qualquer empregado, a burocracia e os custos para contratar um trabalhador não canadense, ou que não tenha residência permanente (imigrante) são bem maiores do que contratar um cidadão. Como o mercado de trabalho não é exatamente como nos descrevem ou imaginamos, conseguir oferta de trabalho estando fora do Canadá é praticamente ganhar na loteria. Além disso, muitas profissões são regulamentadas, e para trabalhar na área, é necessário validar o diploma antes, o que impossibilita oferta de emprego prévia. Para saber mais sobre isso, recomendo um post do blog "Canadá para Brasileiros" que pode ser acessado aqui.
Além disso, existe outra barreira que é adaptar os conhecimentos e experiências prévias à realidade canadense e a forma de apresentação. É preciso muita paciência até conseguirmos trabalhar da forma como nos habituamos e escolhemos. Até lá provavelmente você precisará trabalhar em emprego de pouca qualificação, pois precisará dinheiro para o processo, domínio da língua e experiência prévia no país para o histórico profissional e referências. 
Então, não tem saída: o melhor caminho é chegar aqui de mansinho e ir se preparando aos poucos, conforme as exigências do mercado de trabalho daqui e suas formações. Querer pular etapas só vai atrapalhar o processo, atrasá-lo ou até mesmo inviabilizá-lo. Tenha em mente que o tempo daqui é mais lento que o nosso, e as respostas demoram mais por vir. Pode demorar mais de mês para se obter uma resposta sobre um currículo enviado, ou aplicação de emprego, e aqui é normal. Ninguém corre contra o tempo, a não ser nós, por termos sido treinados no Brasil para isso. E nem pense em utilizar o "jeitinho brasileiro" para acelerar ou facilitar as coisas. O máximo que você vai conseguir é ser visto como um babaca.